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Eternidade.
É estranho, vão dizer que é sobremaneira estranho pensar em eternidade. Vão dizer que quando se pensa nela o presente é esquecido, vão dizer que eternidade é a aspiração de qualquer positivista ou tradicionalista metódico fascinado pelo progresso, eternidade é o que os crentes em algo sobrenatural ou metafísico almejam. A eternidade, diriam estes, seria o telos, o fim de sua noção escatológica do tempo, a redenção que se encontraria em algum lugar messiânico depois da vida, ou em algum lugar no futuro da história.
Pois eu refuto todas essas teorias, a eternidade existe, aqui e agora. E mais, vos digo convicto: eu sou eterno.
Sim, sou eterno: tenho amor. Aqui o tempo presente não é contado pelo relógio, de forma mecânica e positiva, mas sim, medido pela saudade e pela alegria do encontro. Aqui a felicidade não é algo distante, a felicidade é constante, a felicidade é constante e desmedida. O amor é talvez o único portador de eternidade, o amor verdadeiro, aquele sem fim, aquele sem preocupações ou limites. Sim o amor é eterno, e assim deve ser. Eterno e belo como um sonho bom, eterno e bom como o sabor de um doce, eterno e lindo como o riso de criança. O amor. Mesmo sem planejar, planificar, cogitar ou pensar, não há como fugir, quando verdadeiro o amor é eterno em si e por si.
Por isso na contramão de toda a filosofia, eu digo: a eternidade existe! E mora no coração dos apaixonados, mora no olhar complacente, cúmplice e admirado dos enamorados, reside na beleza de sua amada, mora no jeito dela, descansa em seus carinhos, esconde-se por entre seus cabelos... a eternidade está no tempo em que se está junto, e dolorida e saudosa, no tempo em que se está separado. O amor é o colorido da vida, o amor é a razão da vida, o amor é a eternidade da vida.
Por conta disso tudo, mais uma vez, digo: Sou eterno, sou eterno e feliz, eterno e completo, eterno e apaixonado.
24/10/2007
para Isabella
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por Repolho Roxo
. Sábado, Outubro 27, 2007
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É a vida...
Quer saber? No fim, o que vale é você se sentir bem consigo mesmo. No fim o que vale é sentir paz interior, satisfação e vontade de continuar. No fim o que importa na verdade é sua família, seus amigos e seus sonhos e amores. No fim o que realmente pesa é a imagem de sua irmã brincando com os cachorros, ou então quando ela vem, no meio da noite, cheia de carinho e inocência, pedir refúgio ao seu lado; no fim o que vale é o seu irmão contando aquelas piadas que de tão banais chegam a ser engraçadas, que de tão toscas chegam a fazer vocês dois morrerem de rir, no fim o que vale é a alegria dele quando acha alguma coisa nova e a vontade de dividir aquilo com você, por mais corriqueiro que seja, é você que ele escolhe para partir aquilo que tanta importância pra ele tem. No fim o que importa é saber que mesmo pensando diferente você ama seus pais, você se reconhece neles mesmo quando decide romper com a história que eles escreveram e sair por ai escrevendo a sua própria. Bom mesmo é ver todo o amor e confiança que eles tem para com você, seu pai com aquele jeito altivo, intocável, mas que vez por outra se mostra o mais bobo dos seres, que sente a alegria de viver nas coisas mais simples, como um churrasco no fim de semana, e sua mãe com toda aquela robustez, que sente a necessidade de te ensinar a “se virar”, que luta por você até o fim, e que te oferece chá à noite antes de ir para a cama. Maravilhoso é saber que acontecendo o que acontecer eles estarão ali, mesmo não entendendo como você faz História, e continua insistindo na música, mesmo não concordando com você em muitas coisas eles estarão ali, sempre que você precisar. Bom é saber que nessa vida temos amigos, poucos, como no meu caso, mas bons, muito bons. Bom é mesmo depois de muito tempo sem lhes falar, um telefonema mostrar como vocês ainda continuam parceiros e cúmplices, bom é ser convidado para a formatura de um deles e se admirar de como o tempo passou rápido, e lembrar de tudo o que fizeram juntos, daqueles fins de semanas de tempos atrás, das pistinhas de corrida, das partidas de videogame, dos pênaltis, de descer o morro rolando feito imbecis; bom é sentir-se em comunhão com eles, bom é falar besteiras vãs até a barriga doer de tanto rir; bom é numa sexta a noite, um amigo te perguntar: “E então, como estais?”, te perguntar e ouvir tua resposta, ouvir tua resposta e te lembrar de que o futuro é agora, te lembrar que o que tu faz no presente é o que será teu futuro. Coisa que de tão simples esquecemo-nos por vezes. Bom é se perder nos olhos de sua garota, segurar-lhe a mão, ficar enternecido toda as vezes que se encontram, viver juntos momentos que em algum lugar ficarão para a vida toda, bom é sentir-se agraciado pela oportunidade que o destino lhe deu... Talvez dirão que tenho hábitos senis, que não me divirto, que desperdiço a vida... Pois eu digo que não, absolutamente. Quando olho pra mim, para as pessoas ao meu redor e para os meus sonhos refuto: não. Bom é saber o que se é, bom é achar boniteza no outro e em si, bom é julgar belo e cheio de graça tudo o que é ético, e que assim, sendo ético, torna-se humano e estético. Bom é achar bela e engraçada a estética da pureza, a estética do verdadeiro, a estética que vem do mais profundo da alma, a estética que brota da paz interior e da satisfação própria, a estética dos sonhos. Bom é admirando o humano, o puro, e o verdadeiro descobrir a arte, descobrir e mergulhar nela, pois não há nada mais patético, não há nada que chegue mais próximo do âmago do ser humano que ela. Bom é sentir-se refestelado de arte, e encarar a vida como uma obra artística, e mais: ser o executante dela, e não o espectador - bom é sentir-se senhor de si. Bom é sonhar, bom é sonhar e fazer acontecer. Por fim, bom é ser um apaixonado, um eterno apaixonado por tudo o que faz, por tudo aquilo que é belo, e por todos os seus; bom é amar, e amar em demasia, bom é sentir-se pleno mesmo sabendo o tudo que ainda se tem para caminhar e conquistar, bom é saber o que se sabe e reconhecer aquilo que é alheio. Bom é viver. Viver e reconhecer tudo aquilo que me faz sorrir, tudo e todos, como agora. Bom é ter amor próprio. Não um amor bobo qualquer, cego... bom é amar-se com toques de racionalidade, com pé no chão, um querer-se bem que por ser assim se analisa e reflete sobre si mesmo. Digam o que disserem, essa é a forma que encontro para ser eu mesmo, assim me sinto bem e em paz e é isso o que importa; por isso, e portanto, eu recorro a forma mais simples, e talvez a mais profunda e verdadeira de reconhecimento a tudo e a todos que fizeram e fazem parte de minha vida, dizendo-lhes um muito obrigado!
PS: Pode parecer patético isso tudo, mas enfim...
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por Repolho Roxo
. Terça-feira, Julho 17, 2007
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Trabalho
Pois bem. Ante minha crise criativa, eis que resolvo ler meus trabalhos universitários.
Esse escrevi ano passado, matéria: teoria da história I. Relendo, agora, modificaria várias coisas, mas acho que o resultado final ficou bacana até...
Antão:
"O Reino de Deus é a bússola do homem no tempo."
A partir desta frase, comente a concepção cristã medieval de História
Pode-se dizer, que na concepção cristã de história o Reino de Deus é a bússola do homem no tempo, uma vez que esta concepção de história é teleológica, ou seja: a história tem um fim (telos), que é o Reino de Deus, anunciado quando o messias volta a terra para "julgar os vivos e os mortos". Assim a bússola aponta para o caminho que o ser humano deve seguir para chegar à salvação.
Entretanto creio que além de "bússola do homem no tempo", se me é permitido mais uma figura de linguagem, o Reino de Deus também é o "mapa do homem no tempo". Digo isto tendo em vista o providencialismo imanente da visão de história do cristianismo: todos os acontecimentos são de vontade divina. Segundo Agostinho tudo e todos têm uma função, Deus traça um plano para todas as coisas e a História é o lugar onde estas coisas acontecem. Logo, o caminho apontado pela bússola está anunciado no mapa, e nada irá alterá-lo. Contudo o caminho a ser percorrido escrito no mapa é ilegível ao ser humano, pois só Deus o conhece, e o caminho já percorrido pelo ser humano representado neste mapa é de escrita muito tosca, e ainda, o cristão não tem interesse por sua história, para ele só interessa o futuro. O passado para o cristão tem ligação com o pecado e o futuro com a redenção, temos assim uma idéia assimétrica entre passado e futuro, sendo o último supervalorizado. Desta maneira a produção histórica medieval torna-se escassa. O que mais é produzido são os escritos hagiográficos, de certa maneira relatando o que de bom - e divino - aconteceu no passado cheio de pecados da humanidade, neste sentido é que o caminho percorrido tem escrita tosca no mapa.
Partindo desses pressupostos: o teleológico que indica uma história linear e o providencialista que indica uma "inação" do homem no tempo, chegamos ao pressuposto Universalista da concepção cristã, onde o cristianismo é tido como religião universal. Catequizar, levar a "Verdade" a todos os pagãos, que segundo a religião também são filhos de Deus, é a ambição cristã. Assim não nega-se a existência de outros povos e também não exclui-se estes da religião, fazendo a concepção de humanidade bem como a de história cristã serem universais. A salvação anunciada no telos não é apenas individual, mas sim, com a cristianização do mundo, coletiva. O cristianismo torna-se então, de certa forma uma religião imperialista.
Desinteresse pelo passado, desprezo pela razão, inexistência de liberdade e conseqüente desvalorização da vida é o que a concepção cristã de história logrou aos seus adeptos. O que dá o sentido a alguém percorrer o caminho do mapa cristão, guiado pela bússola é exatamente a Salvação. A salvação faz o cristão aceitar sua condição humana, o faz conformar-se com sua realidade e estabiliza a visão de mundo dele. A História para o cristão medieval está muito mais no futuro do que no passado ou presente.
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por Repolho Roxo
. Terça-feira, Maio 01, 2007
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Chopin
Chopin. Ela deve ouvir Chopin! Por certo alguém com aquele tom tão alvo de pele, alguém com aquele andar tão lânguido, com aquele olhar tão apaixonado e ao mesmo tempo desesperançado deve gostar de Chopin.
Passaram, então, algumas horas, e aquilo amiúde continuava a vir em sua cabeça: Chopin, ela deve ouvir Chopin. Ordenava as coletâneas de música pop que uma dupla de garotas havia histericamente posto fora do lugar, e continuava a pensar: certamente ela deve gostar muito de Chopin. Varria o chão da loja com um semblante tomado por um encatamento arrebatador, e a imaginava num fim de sábado chuvoso a ouvir os Noturnos de Chopin sentada em um sofá marrom, com uma xícara de chá em uma das mãos contemplando o nada.
Sim, ela devia mesmo ouvir Chopin.
No outro dia, no mesmo horário, pôs-se em vigília na vitrine. Esperou ansiosamente a chegada das oito e trinta e cinco, horário exato em que ela passara no dia anterior. Esperou, e enfim chegou o horário. Ela não aparecera. Ficou desesperado, suas faces começaram a esbranquiçar, todo o tipo de pensamento lhe surgiu numa profusão arrebatadora. Até que então, depois de dois minutos que mais pareceram uma eternidade, ali estava ela, em meio ao passeio público, naquele dia nublado, com seu casaco cinza e cachecol vermelho. Sim, ali estava ela. Era a mesma pele, tão alva quanto no outro dia, era o mesmo andar, tão brando quanto no dia anterior, era o mesmo olhar, tão amável e perdido quanto da última vez. Ele deleitou-se com ela. Pode, nos poucos segundos que ela usou pra passar de fronte a sua loja, observá-la em cada detalhe, saborear cada curva de seu corpo, imaginar toda sua personalidade. E depois de fazê-lo, de modo certeiro disse: Ela deve adorar Chopin.
Assustou-se. Ele não era do tipo namorador, nem mulherengo, nunca teve muito jeito com flertes e tudo o mais. Achou cafajestice o sentia pela mulher de pele alva, e cafajeste, para um homem que se julgava tão correto quanto ele, era o último adjetivo que desejaria.
No outro dia, domado por suas convicções, resolveu não esperá-la. E assim o fez. Continuou seu trabalho. O dia não mais chegava ao fim, as horas se arrastavam e ele se mostrava angustiado como nunca. Ele não queria, mas precisava ver ela. Ele não queria mas precisava se refestelar de sua imagem, tão bondosa, tão doce e ao mesmo tempo tão triste e taciturna. Ele não queria.
Naquela noite, não dormira.
Levantou, cumpriu seu ritual matinal com uma certa afetação, e foi logo correndo para sua loja. Prostrou-se, contra toda sua lógica, de fronte a vitrine. Com olhar vidrado velou a calçada. E assim, ali ficou. Até que então, como anteriormente, ela passou. Ah, ela passou exuberando toda sua beleza, ela passou cheia de luz e vida, cheia de tristeza e alegria, cheia de carinho e vergonha. Sua pele continava alva, suas feições eram as mesmas, e seu corpo tinha as mesmas curvas. E ele, consigo, novamente pensou: Ela adora Chopin.
E assim os dias se passaram. Chegou a pensar em tentar uma aproximação. Mas não, não teria coragem para tanto. Enquanto isso a imaginava, enquanto isso a saboreava em seus sonhos, enquanto isso, a amava secretamente.
O tempo passou.
O tempo passa e por vezes leva o que pensamos consigo. O tempo passa e desgraça o que antes era engraçado. E assim foi. Acabou esquecendo a passagem dela. E não ficava mais angustiado. Talvez a consciência de que ela nunca o contataria fizesse isso, talvez a certeza de que nada daria certo tornou flácidas as coisas. E assim foi.
Até que então, num dia, ela passou mais cedo.
Ela passou, e parou na frente da vitrine de sua loja. Fitou por alguns instantes a vitrine, olhou para dentro da loja com um ar de interesse, e ele num canto, atendendo um cliente embasbacado com aquela situação sobrenatural. Ela deu quatro passos e entrou na loja. Naquela altura ele estava sem palavras. Naquela altura ele não conseguia mais andar, tudo o que havia ido embora paulatinamente durante meses voltara em alguns segundos, todo aquele furor da primeira vez em que havia botado olhos nela voltara como passe de mágica. O cliente, amigavelmente, ante a perplexidade dele, inquiriu: - Senhor, tudo bem? Ele não havia escutado nada. Ela dirigiu-se a seção de clássicos. Ele instintivamente foi de encontro a ela. Seus passos pareciam criar atrito com o chão, de modo que ficavam cada vez mais difíceis de serem dados. Com muito esforço, chegou até ela e com uma voz trêmula, contudo, solícita, proferiu: - Posso ajudá-la? E então magicamente ela virou-se para ele. Nunca havia vivido um momento como aquele em toda sua vida, nunca experimentara tão incrível abundância de sentimentos, pela primeira vez ela o olhara, ele estava prestes a explodir, quando ela gentilmente disse: - Creio que sim, procuro por uma obra de Bach... Seu mundo havia caído. Ele estava desconcertado. Como? Como ela poderia ouvir Bach? Como aquele ser que se mostrava tão romântico poderia ser tão clássico? Como? Não, ela não poderia gostar de Bach. Havia algo errado, só poderia haver algo de errado aquilo era um contra-senso. Ele devia perguntar. De fato ele devia perguntar. E perguntou: - A senhora não gosta de Chopin? Ela espantada com a pergunta que não sabia tirada de onde, mas ainda com um ar gentil, prontamente respondeu: - Chopin? Não, não. Eu prefiro os barrocos.
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por Repolho Roxo
. Domingo, Fevereiro 25, 2007
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Ela
Aquele era um dia especial, pensara ela. E de fato era. Por certo aquele era um dia especial. Naquele dia o céu era de um azul tão vivo e límpido, tão apaziguador, tão puro; o sol alumiava tudo de uma maneira tão clara, tão confiante, tão cintilante; e ainda havia aquela brisa, aquela brisa que lhe acalantava a parte de trás das orelhas, aquela brisa que passava pelo seu corpo como que lhe acariciando, aquela brisa vadia, sorrateira; sim, naquele dia as flores ostentavam sua beleza de uma maneira quase obscena, as cores pareciam explodir, os odores pareciam luzir. Sim, de fato ela tinha razão quando cogitava que aquele era um dia especial, pois assim ele era.
Diante de tanta beleza, diante de tanto esplendor ela não contentou-se em ficar. Teve de sair. E saiu. Saiu querendo abraçar aquele mundo que se apresentava de maneira tão ímpar, saiu querendo cantar todas as canções, saiu querendo recitar todos os poemas, saiu querendo conhecer todas as pessoas, saiu querendo saber de todas as coisas. Vida. Sim, ela sentiu a vida como nunca tinha sentido, ela sentiu-se refestelada de poesia, ela sentiu-se linda. Linda e livre. Livre e poderosa. Poderosa e corajosa.
Ah, e como ela estava linda naquele dia, posso dizer-lhe porque naquela ocasião a vi. Pois digo que nunca vi ninguém tão bela. Seus olhos pretos e pequenos brilhavam de maneira encantadora, brilhavam e exprimiam uma ternura quase que sobre-humana, seus olhos sorriam, sorriam e cantavam, cantavam e brincavam. Ah! Quando verei olhos tão meigos novamente? Seus lábios que não vi fazer outra coisa, senão, exprimir sua alegria, eram de um vermelho tão intenso, faziam transparecer uma felicidade tão verdadeira que contagiava quem fosse. Suas faces... Aquelas faces rosadas, daquele rósea tenro, daquele rósea casto, daquele rósea que só um dia como aquele e uma vivacidade como aquela poderiam proporcionar, aquele rósea que enternece a tudo e a todos, ai aquelas faces... O vento pelo seu rosto, por vezes fazia voar seus cabelos. Aqueles cabelos castanhos, aqueles cabelos desavergonhados, que não relutavam em dançar ao som da música que o dia cantava. Sim, aqueles cabelos... E seu corpo? Seu corpo que parecia voar com o vento, seu corpo de curvas modeladas por algum deus grego, seu corpo que parecia etéreo, parecia canção. Seu corpo que de tão puro parecia nu, seu corpo que de tão lindo parecia imaginação.
Nunca. Nunca vou me esquecer de sua imagem naquele dia tão belo.
Depois de aproveitar tanta vida, tanta beleza, tato resplendor, chegou a hora. A hora sempre chega. E ela teve de voltar. Voltou. E a volta, dessa vez, ao contrário de todas as outras, não foi triste. Por certo não foi triste. A volta foi alegre, regozijante. Ela sentia-se agradecida pelo dia. E assim voltou. Voltou e chegou.
Chegou, chegou e quis contar tudo o que viu, tudo o que sentiu. Era tanta alegria, tanta beleza comprimida em seu angusto ser, que ela precisava extravasar, que ela precisava compartilhar. Mas, desventura... estava ela sem companhia. Ah, que angústia que sentiu... de que vale tanta beleza se não havia como compartir? De que vale tanta vida se como parceira ela tinha a solidão? Angústia. Nunca sentiu-se tão angustiada na vida. Sentou ao sofá. Pôs sua cabeça sobre sua mão fechada em punho. Por um tempo ali ficou. Ficou e chorou. Chorou de alegria e solidão. Chorou de solidão e esperança. Chorou e parou.
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por Repolho Roxo
. Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007
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euseilá
Eu sei lá - eu sei lá, aliás é uma boa expressão. Pensar separadamente as palavras que formam um todo, no caso o todo do "Eu sei lá", é engraçado -. Acho que sempre fui um bom individualista. Não no sentido avarento da palavra, individualista no sentido de entendimento de mundo. Claro, sei que o ser humano é um ser social. Sem a vida em sociedade não haveria evolução humana, e afinal, vivo em uma sociedade, estabeleço relações com outros seres participantes desse coletivo. Agora, até onde vão essas relações? Quão grande são essas relações? Talvez pensar demais sobre essas coisas não seja salutar, mas enfim, não há como evitar, em certas feitas, sentir-se sozinho nesse mundo. Não há como evitar, apesar de você ter confidentes e amigos, sentir que existe um mundo de coisas dentro de você que estão ali querendo ser partilhadas e não há ninguém que possa recebê-las.
Como diz o Artur da Távola ¿Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão¿. E por certo assim o é. O motivo dessa lamúria aqui expressa na forma desse texto não é a solidão em sí - afinal lamentar-se por solidão é tarefa de poetas -, mas o quão interdependentes as pessoas são.
Individualismo? Narcisismo? Não, como disse acima, não creio ser isto. Apenas parece, as vezes, que tudo é flácido, que tudo é frígido - vejam vocês agora estou descambando pra um existencialismo mal fundamentado.
Talvez meu ¿auto-pré-julgamento¿ individualista, na verdade, esteja errado. Na verdade, talvez, eu seja um coletivista frustrado. Um ser que anseia por contatos agudos e que não logra o que deseja.
Céus, me pego rindo agora, no fim tudo é tão simples, e a gente complica tanto as coisas. Ou melhor, fins de semana eremitas complicam as coisas. Ao menos comprei sorvete!
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por Repolho Roxo
. Domingo, Janeiro 21, 2007
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Blue Jingle Bells
Eis que pinheiros invadem minha casa, luzes tomam todas as fachadas, decorações abusando do indecoroso contraste que há entre o vermelho e o verde se tornam comuns e aceitáveis como em nenhuma outra época (sem falar no abuso de cores metálicas, como dourado e prata), papais-noéis pelas ruas vendendo coisas... Sim, é natal. Natal este que em minha consideração é cada ano mais longe, natal este que a cada ano que passa, me é mais sem sentido, natal este que cada vez chega mais rápido - e isso me assusta.
Céus, o que está havendo com tudo? Faz um tempo que não me animo com a comemoração desta festa pagã cristianizada. O que me anima nessa época de natal, o que faz minha alma de certa forma entrar em júbilo é a vontade de começar o ano novo, de começar vida nova - apesar de que nada na vida muda apenas com a passagem de ano -, veja bem, começar ano novo, não comemorar como um débil a passagem dele, esperando até meia noite para fazer uma contagem regressiva tola e depois ir dormir sentindo seu "dever" cumprido. Mas essa idéia de terminar algo e começar outro - apesar também das coisas não serem finitas - me alegra, me toma, me extasia.
Como dizem: -Anoquevem vou mudar, anoquevem (estas três palavras deveriam ser uma só não acham?) tais coisas acontecerão. Sim quem não pensa isso? Se não pensa, é porque não sonha, não tem ambições, ou então está num estágio evolutivo à frente, ou então faz por acontecer as coisas no presente e não fica contando com o futuro (!). E ainda há esse clima de verão. Esse calor, essa brisa da noite. Noite que aliás vem mais tarde. Tudo isso cria no ar uma atmosfera regozijante, esperançosa, e até poética.
Mas enfim. É natal, vamos nos refestelar de aves recheadas, vamos comemorar nossa individualidade nas festas familiares, vamos celebrar o comércio, valorizando tudo o que há de temporal, vamos aturar nossos entes vilipendiando nossa auto-estima e comportamento. Vamos minha gente! É natal!
PS: Por Zeus, quem lê isso deve me achar o cara mais sem graça do mundo, o mais chato, que fica sempre em casa e não tem contatos sociais, não se diverte, não gosta de nada, um babaca de merda. Pois bem, se pensou isso ACERTOU! E se pensa o contrário, MORRA, porque além de tudo o relatado, sou um cabeça dura irredutível.
RARARÁ
pensando bem... não ficou tão ranzinza assim o texto...
PS: Olha só! Usei parágrafos!
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por Repolho Roxo
. Quinta-feira, Dezembro 14, 2006
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Efusivo é o adjetivo
Enfim. Eis que me pego num dos momentos em que mais me odeio. Essas fases patéticas me fazem sentir raiva de mim mesmo. Raiva por eu colocar em dúvida minha própria pessoa, meu próprio modo de ser. Se por um lado isso é benéfico uma vez que demonstra a minha concepção dialética de desenvolvimento, onde acredito que nada é estático, mas sim, tudo está em constante transformação (ave aulas de terça!), por outro demonstra uma fraqueza intrínseca à minha pessoa: insegurança. Insegurança, sim. Sou refestelado de insegurança, desde as decisões mais banais que me vejo obrigado a tomar no cotidiano, até agora, quando pergunto a mim mesmo quem realmente sou. Não sei se isto se trata de dupla personalidade, não acredito nesse tipo de coisa , exceto em casos muito graves, clínicos. Mas o meu caso não o é, bem como o de muita gente. Prefiro acreditar, que as pessoas são formadas por um punhado de coisas mas que de certa forma, apesar da heterogeneidade destas coisas, elas seguem uma regra: as atitudes que formam uma personalidade são sistemáticas, não no sentido de serem planejadas, mas no sentido de elas terem significados que não entram em contradição entre si, e que por fim dão sentido ao todo. Isto é o que a pessoa é. Agora, voltando à questão que me leva a escrever isto: quem eu sou? Convicções realmente não deveriam ser tão convictas assim. Ora vejam só! Estou a entrar em contradição. Pobre de mim. Mas realmente convicções quando são quebradas provocam dor. Ah, do que estais a falar babaca, isso que sentes não se trata de dor. É mais um prabaixismo patético. Por um lado prabaixismos são bons, como diz o Lewis Wolpert no livro sobre depressão que ganhei faz dois anos (ou mais) mas que não consegui terminar de ler, prabaixismos são impulsos para praaltismos. Enfim, espero que o autor esteja certo, mas o que quero dizer é que coloco em dúvida nesses momentos de ¿fraqueza¿ minhas convicções mais elementares e o que me forma entra em contradição. Convicções que dizem respeito ao meu julgamento sobre o próximo, sobre o que é afinal amar, o que é aceitável e o que não é nisso tudo. Relacionamentos sempre foram difíceis pra mim. Agora sinto-me a pessoa mais sozinha do mundo. Meus conceitos sobre as pessoas são colocados em xeque. Afinal o que é certo e o que errado? Afinal existe certo e errado? Afinal. Bem no final, creio que apenas o que desejo eu é conseguir afundar em alguém (sem duplos sentidos idiotas), mas ter amizades verdadeiras, sem preocupar-me com isso ou aquilo que o outro faz ou deixa de fazer, ter companheiros de fato. Talvez mais que isso, afinal, o que desejo é vivenciar as coisas de maneira mais enfática, verdadeira, intensa, enérgica, veemente e convicta. O adjetivo que procuro ainda não achei. Mas então. O negócio creio eu, seja pensar. O que vale a pena e o que não? Ou talvez não pensar e ser mais passional e espontâneo. Não sei. Me vejo agora como o cara mais imbecil do mundo, individualista patético de merda que fica escrevendo textosinhos sem sentido que amanhã ou depois relerá e se perguntará irritado o porquê de o ter escrito. Mas enfim. Cartola me cura, se não curar ainda resta Tom, Vinicius, Baker, Evans, Pixinguinha, Davis e tantos outros.
É a vida.
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por Repolho Roxo
. Quinta-feira, Outubro 12, 2006
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Jubileu (!)
Não sei, confesso que já pude completar vários aniversários, eles sempre me foram felizes, sempre eles tiveram uma atmosfera de júbilo, talvez nem sempre, mas enfim, em meu interior sentia-me como que acalantado, resplandecido. E agora eis que me deparo com mais um desses aniversários. Pois bem, completo 18 anos. Confesso que esta idade não traz a mesma carga ditirâmbica das outras, essa idade traz consigo uma carga de epifania, de mudança completa, parece que quando completamos 18 anos temos de nos tornar seres completamente diferentes. É certo que as mudanças que tal idade exige não ocorrem de hora para outra, talvez nossa vida toda anterior fora uma preparação para este momento, e quando estamos na véspera já devemos ser seres adultos, comportando em nós todos os adjetivos que uma pessoa com 18 anos deve ter. Mas comigo não foi assim, não sei se aconteceu algum problema com a passagem do tempo de minha vida, ou se fui negligenciado em minha educação ou se sou retardado mesmo, mas com certeza 18 anos eu não tenho. Não. Pessoas com 18 anos não são tão inseguras, não são tão individualistas (?), não são tão indisciplinadas, não são tão babacas quanto eu. Pessoas com 18 anos não têm medo de não conseguir fazer as coisas, não têm medo de amar. Pessoas com 18 anos sabem exatamente o que querem da vida, e têm certeza do sentido dela. Pessoas com 18 anos não falam ou fazem coisas por impulso, pessoas com 18 não se arrependem do que fazem, nem imitam garças, nem compram balas 7 belo todo dia na faculdade. Pessoas com 18 anos não falam sozinhas, e não riem de coisas sem graça. Bom, pensando bem as vezes é meio chato ter 18 anos. Acho melhor não completar essa idade mesmo.
ps: Este post estava no fotolog, só que retirei. Não sei, dependendo de como se lê parece que estou a me queixar das coisas. Mas não. Não em todo o texto ao menos.
E balas de yogurte100 tb são boas!
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por Repolho Roxo
. Quarta-feira, Agosto 16, 2006
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O dia em que a terra parou
Sim, aquela música de Raul me vinha a cabeça constantemente naquela caminhada vespertina. Caminhada essa feita quase todos os dias, quase no mesmo horário. Mas hoje, hoje estava tudo diferente, tudo. Não que eu não goste de futebol, não que eu tenha um discurso pronto contra todos os males que tal desporto causa na memória momentânea do povo brasileiro. Não. Não sou nenhum fanático também. A verdade é que os eventos futebolísticos em geral por mim passam desapercebidos, creio que seja uma falta de paciência ou mesmo desgosto da minha parte. Entretanto, com a proximidade da Copa do Mundo de Futebol, com a super-exposição da mídia sobre tal evento, com a publicidade amplamente convergida para tal tema, eu me tornei um entusiasta do torneio. Ao ponto de que uma vontade de jogar futebol me vinha amiúde no pensamento. Não. Não sou habilidoso em tal jogo. Nos tempos de escola, sempre era eu o último a ser escolhido na divisão dos times. Assim pode-se ter uma idéia de minha inaptidão para o esporte em questão. Contudo, me veio esta inesperada vontade, afinal uma pelada, jogada despreocupadamente é sempre divertida. Logo depois de tão grande lavagem cerebral em mim executada, o primeiro jogo de meu país era ansiosamente esperado por mim. É verdade que nem tão ansiosamente assim... devo dizer que expectativas foram criadas. Enfim. Eis que o dia chega, arma-se o circo, faz-se da sala um cinema, com direito a petiscos e bebidas. A família ali, a espera do jogo. O jogo começa. E eu ali, me refestelando de futebol, admirando a partida, vibrando. Mas o tempo passa. Eis que chega o intervalo do jogo. Num dia normal era esse o horário de minha saída de casa para meus compromissos universitários. A opção tinha eu de ir de carona com meu pai após o jogo, no possante auto dele. Mas não, não quis. Preferi verificar como estava a cidade naquele momento, preferi negar todo o calor do jogo e me desanestesiar do objeto da concentração nacional daquele momento. Então saio de casa para a caminhada que era feita quase todos os dias, no mesmo horário. No mesmo horário, comumente as ruas estavam cheias, muitas pessoas passavam pelas calçadas. Trânsito, tumulto, gente era tudo o que não se via nas ruas nesse dia. Sim, a cidade parecia vazia. A terra parecia estar parada. Como na música de Raul. Caminhando perto de residências podia-se ouvir o ruído de tevês ligadas, e quando olhava-se, poderia-se ver pessoas vestidas com as cores nacionais a assistir a tais aparelhos. Era muito estranho, aquelas pessoas reuniam-se em torno da tv, a exemplo de minha família, num dia que normalmente isso era impensável. Estabelecimentos comerciais não funcionavam, quando funcionavam estavam completamente sem fregueses, e seus funcionários reunidos em torno de uma tevê próxima. Quando o caminho de meu destino me levava a lugares longe de residências podia-se ouvir o barulho que o vento faz quando passa pelas folhas das árvores, podia-se ouvir os pássaros cantando. A paz, a tranqüilidade reinavam naquele instante. Pensava na poesia presente em cada dia e que a gente nega, mas isso é assunto para outra elocubração. Tudo por conta de um jogo de futebol televisionado. Mas não qualquer jogo. Jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol. Pois bem. Eis que chego ao meu destino. A partida em questão termina, e tudo gradativamente volta ao normal. Impressionante o patriotismo do povo brasileiro. Mas me cabem duas ponderações. A primeia é o meu pesar. Sim, pesar. Pesar por conta desse patriotismo todo não ser demonstrado na consciência política do povo. Isso é uma questão histórica, cujas causas não colocarei aqui, haja visto a pesquisa de fôlego que acarretaria tal tema. A segunda é a assustadora maneira como tudo pára para um evento destes, tornando isto talvez mais importante que as outras coisas, tais como família. Você sairia do trabalho num dia comum para passar um tempo com sua família, ou com alguma pessoa querida?* Enfim. Minhas efêmeras inconformâncias a parte. Domingo tem jogo do Brasil. E talvez eu assiste todo.
É isso.
*Tal questão foi levantada pelo colega Maílson e discutida entre nós.
ps: nossa, quanto tempo faz que não escrevo aqui. auto possante foi engraçado
ashuashuashuas
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por Repolho Roxo
. Sábado, Junho 17, 2006
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Nome
Mal imaginava o vendedor de flores que aquela senhora vez por outra fazia citações jocosas sobre seu nome ser igual ao de uma ópera, o vendedor de flores jamais poderia imaginar o quão impiedoso seria então o infortúnio que o fim de semana acometeria àquela tão bondosa contudo excêntrica senhora que fazia citações jocosas, pois seu nome era igual ao de uma ópera.
Pedira ela uma caixa de amores-perfeitos, mais que prontamente o vendedor a atendeu, e então, ela acrescentou às suas compras um buxinho. Após o pagamento efetuado então, a excêntrica e bondosa senhora que fazia citações jocosas por seu nome ser igual ao de uma ópera adentrou ao seu auto e seguiu rumo à sua casa. Após repimpar-se de macarronada ela então decide efetuar o ajardinamento de seu quintal com o resquício de flora adquirida por ela na floricultura.
Pôs-se então a plantar as flores a bondosa contudo excêntrica senhora que fazia citações jocosas por conta do seu nome ser igual ao de uma ópera. Uma visinha, passou pela estrada e então começaram a conversar, a senhora bondosa, contudo excêntrica que fazia citações jocosas cujo o motivo era o seu nome ser igual ao de uma ópera com a sua própria visinha, sua visinha era uma daquelas senhoras para quem vida alheia é a maneira de esquecer da própria vida e da própria acumulação de anos da própria vida, no caso, da visinha. Falaram sobre o clima, e sobre quão heterogênea era a coloração das mudas florais que havia comprado a senhora excêntrica e bondosa que fazia citações jocosas acerca de seu nome, pois o mesmo era idêntico ao de uma ópera, e sobre como isso embelezava a sua casa. Passou o tempo, terminou o assunto, uma obrigação que então a visinha resolveu obter a fez dirigir-se até sua casa, e então pode a senhora bondosa contudo excêntrica, que fazia citações jocosas referente ao seu nome, pois ele, acredite, era idêntico ao de uma ópera, continuar a plantar suas flores. Plantou-as, procurou um bom lugar para o buxinho, achou, plantou. Percebeu então que necessitava de uma poda o buxinho, então a senhora bondosa, contudo excêntrica que fazia citações jocosas pelo motivo de seu nome ser idêntico ao de uma ópera, foi a procura de uma tesoura, achou-a, sitiou-se defronte à arvore, e num golpe, vil, rápido, forte, vigoroso, infurtúnio, ó
desventura, cortou seu dedo.
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por Repolho Roxo
. Sábado, Julho 30, 2005
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Frederico
Um dia, quando falar francês,
sim, serei romântico.
Poemas, loiras, "erres" e fumantes.
Construções de ferro, sentimental, rios e restaurantes.
Um dia quando falar francês,
sim, falarei, então, francês
Isso remotamente me lembra Breton, tudo bem que ele era um gênio, e eu um babaca, mas...
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por Repolho Roxo
. Domingo, Junho 05, 2005
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Camerata
Parecia que o tempo havia voltado, já nos primeiros acordes, no início da vibração das cordas, produzindo Bach, o silêncio refestelado de respeito, admiração e atenção no levantar de batuta do maestro. Já não estava ali. Parecia-mos parte da música, parecía-mos peça fundamental do magnífico espetáculo ali apresentado, e também parecía-mos peça fundamental no magnânimo espetáculo da vida.
Então o primeiro movimento do entitulado Concerto de Brandemburgo n° 3 havia chegado ao fim, após o entusiasmo parecia-mos carregados à mão pelo entorpecente som do cravo para outra atmosfera, e deveras, assim foi. Maravilhados acompanháva-mos o desfecho daquela obra composta a muito tempo atrás, fora como se houvessem anjos falando ao pé do ouvido, de fato, sublime.
A segunda peça não foi tão empolgante, contudo excelente, Simple Symphony, de Britten, de movimentos densos, alegres e curiosos, como brincar no parque e chorar de amor.
E então o grande final, eis que os acordes apaixonados, confusos, difíceis e belíssimos da Serenata para Cordas op. 48 de Tchaikovsky começam a soar, quem não fica perdido de amor ou simplesmente maravilhado ao ouvir tal música? Seguem movimentos menos e mais sentimentais que o primeiro e que parecem acariciar a alma, por fim, enamorados pela música, como um agradecimento, a platéia ouvaciona a orquestra, todos estávamos embasbacados, todos estávamos exaltantes, a orquestra, por sua vez, presenteia-nos com uma obra de Edino Krieger, maravilhosa, como um agradecimento, o que nos deixou ainda mais maravilhados com toda a mística daquela noite.
E como tudo, o espetáculo teve um fim, mas um fim bom, um fim apazigüador, um fim excelso.
nota:
Tá!, parece que falta alguma coisa, não sei, esperava coisa melhor e estou com preguiça de tentar melhorar, contudo, ficou quase melhor do que a coluna do jornal... rarará!
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por Repolho Roxo
. Terça-feira, Maio 24, 2005
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Que horas são?
Não, não sei, no momento não sei nem o que vem a ser ser, pois o ser de agora então, já foi, ora, há horas que são demasiadamente prolixas e chatas, como panquecas, outras horas são demasiadamente alegres e lacônicas, e por que é assim? Ora essa, as horas passam e o tempo voa, tempo, tic tac, tempo. Tudo é passageiro ( sem anedotas infames ), não existe nada absoluto, oras bolas, o presente do momento passado já passou, pretérito, imperfeito? Não sei... Ser? Será? E o tempo ainda passa, tic tac, tempo. O que é então o presente? Uma futura recordação? Não sei. Nos cabe, então, apenas, ser. Ser? Um dom, divino? Ora ora, divino existe agora? Passou, tempo, tic tac tempo, "agora" é passado, tic tac, pretérito então se torna o passado, e tudo se esvanece, na hora, no agora, oras bolas. Que horas são? Ser? tempo, tic tac, tempo. Não, nao sei, bem como, outrora, outrem proferiu ( será mesmo? ), nada sei. Tic tac, tempo, e passou então o tempo, tic tac, e chegou ao fim o meu. Tempo, não o fim absoluto, que consome tudo, mas sim o fim relativo que a hora de agora, oras bolas, delimita o limite, tempo, tic tac, tempo, passou, fim, tempo, tic tac, tempo.
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por Repolho Roxo
. Sexta-feira, Abril 29, 2005
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Guardas, chuvas.
Pois bem, eis-me aqui à escrever.
Entretanto me falta inspiração, contudo, acredito que isso deva ser sazonal, ou regido por alguma fase lunar, me falta vontade, a, isso está além de mim, ou, simplesmente me falta lembrar das coisas que amiúde penso, e que todavia, se perdem com o passar dos dias, das idéias, das pessoas, das tarefas, do tempo, dos dias, dos discos voadores, suínos mancos, do tempo, das palavras, guardas, chuvas, do tempo, das núvens, das horas, dos dias, da vida.
Horrível.
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por Repolho Roxo
. Quarta-feira, Abril 20, 2005
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Trabalho de Biologia incompleto.
1.O que são células tronco?
Células tronco são células com a propriedade de se transformarem em outros tipos de células.
2.Quais as diferenças entre células tronco embrionárias, do cordão umbilical e da medula óssea?
Além do local onde são encontradas, elas tem características diferentes, o sangue do cordão umbilical contém muitas células homatopoéticas, células principais no transplante de medula óssea, contudo, devido as condições da coleta obtém-se uma quantidade muito restrita de células, o que implica em apenas utilizá-las em pacientes de menor peso, geralmente pediátricos. O sistema homopoiético (que fabrica as células sangüíneas) na medula óssea, contém células tronco adultas, contudo essas células não podem se transformar em outros órgãos, apenas podem, reproduzir-se, e são atualmente usadas no transplante de medula óssea. Já as células tronco embrionárias têm a capacidade de se mutar em praticamente qualquer célula do corpo humano, células estas, nomeadas pluripotentes, que designa a capacidade do embrião se tornar um corpo totalmente formado.
3.Como são produzidas?
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4.Qual a importância das células tronco?
As células tronco vêm ganhando notória importância, devido ao fato de poderem acabar com o transplante de órgãos, logo, as filas de espera para tal procedimento se extingüiriam, e muitas vidas, então, seriam salvas. As células tronco são a futura promessa para a cura definitiva de muitas doenças que até hoje assolam a humanidade e até mesmo outras espécies.
5.Lei ou medida de biosegurança e como ela funcionará?
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6.Conclusão
A conclusão que obtivemos é que as células tronco devem minunciosamente e efetivamente serem estudadas, para que o homem tome total conhecimento sobre elas e sobre como utilizá-las, e então, se marque uma nova etapa na medicina, onde os médicos terão um poder ainda mais próximo do poder divino.
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por Repolho Roxo
. Quarta-feira, Abril 13, 2005
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Autor.
Carlos, 18,
Brusque SC.
Estudante de História, aspirante a pianista, elucubrador desvairado.
Amigos
e afins.
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Viajante Aéreo
. Nei Lopes
. Ócio Criativo
. Vapores das
palavras
. Miah
Visitas.
Contato.
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repolho.roxo@ibest.com.br
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